
“Navio que a tua mão
conduz circularmente
é ele que te conduz
a si mesmo”
António Ramos Rosa
navio que a tua mão
conduz circularmente
sem imaginação
nem musicalidade
que posso escrever
ao correr da imagem?
imaginação forçada
na palavra
a coragem
a madrugada
insípida, distante
longa travessia
entre mares
e navegantes...
essas barcas
essas naus
levam novas
trazem pesares
levam dores
ao sabor das ondas
de regresso às praias
os pescadores
artesãos diferenciados
no amor
como soldados
matéria orgânica
do mesmo instante;
é ele que te conduz
a si mesmo
destino desconhecido
arte perdida
do mareante...
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